7 – Poesia

Pagna em actualização

 

“Mendigo”

 Foi num caixote abandonado

Que comecei a viver.

Um farrapo condenado

À solidão, até morrer.

 Triste e sozinho

Todos me olham de lado.

Dizem que sou um velho,

Um mendigo abandonado.

Estou prestes a morrer

Já não faço falta,

Quando isso acontecer

Ninguém vai sentir a minha falta.

Num banco de jardim

Vejo alguém que muito sofreu,

E digo de mim para mim

Hoje ele, amanha eu…

 Pareço um fantasma

Ninguém fala comigo,

Bem sei que não passo

De mais um sem-abrigo.

 Foi hoje que morri

Mas ainda não me encontraram.

Estou no banco de jardim

Onde me abandonaram.

(onde sempre me ignoraram).

 Assim se acaba,

Com uma vida de solidão.

De enterrado não passo

E agora a minha morada é o chão!

 Ivan do Nascimento

 

“TROIKA”

 A troika chegou,

O governo abanou.

O povo acordou

E o pânico começou…

O escudo deixou saudade

E o euro interrogação.

Dos dirigentes fica a incapacidade,

Do povo a frustração!

O ano está de partida,

Aqui fica a questão:

Teremos uma grande saída?

Ou será a perfeita desilusão!…

 Rosa Fernandes

 

“Ponto de fuga”

Saí manhã cedo, rua fora.
A cal fere os olhos ensonados.
Mais despertos, os ouvidos atentos
sentem as andorinhas nervosas,
que esvoaçam pelos beirados.
Mistura-se o branco e o azul do céu
com a barra tingida a cal amarela.
Ecoa distante o latido de um cão
e o homem que ajeita a boina suada,
saúda a menina apoiada à janela.
Abre-se o postigo, alguém espreita!
Sai um perfume de olhar esquivo,
misto de fumeiro, chão encerado,
fruta madura e hortelã da ribeira.
Escapa-se o gato também furtivo.
As paredes da vila ficam para trás.
Despede-se com odor a laranjeira.
Desço a azinhaga em terra batida
que me leva à ponte sobre o Xarrama.
Mil cores e flores ladeiam a ladeira.
São João dormita numa capela,
ao som da água que pinga na fonte
e livre corre, contrariamente
à água que presa na barragem,
parece um mar no horizonte.
Sento-me à sombra sobre uma pedra
descansado, deleitado e contudo
aflige-me o barulho do silêncio
que interpela e me obriga a fugir
para Além do Tejo, de mim e de tudo.

  João Raimundo

 

“O Mundo que me Rodeia”

 O Mundo que me rodeia

Expressa-se em múltiplas emoções.

Por vezes difíceis, qual epopeia,

Outras boas para recordações.

 Sentimentos de felicidade

Por poder cá crescer.
Mas ouvindo bem a realidade
Este Mundo é duro de roer:

 Vejo ricos e pobres,

Sinto falsidade e injustiças.

Já fomos um País de nobres?

Ou somente de verdades postiças?

 Do Futebol à crise,

Do Fado ao desemprego,

Já não há agência que analise

O rating do grego.

 Cresce a evolução da tecnologia

Onde já tudo é virtual.

Será esta uma boa ideologia?

Ou já estará a balança desigual?

 Mais e mais questões

Indagam o meu ser.

Inevitavelmente as preocupações

De como irei sobreviver.

 Em suma final

Só retenho uma ideia:

Nem sempre é genial

Mas é este o Mundo que me rodeia!

 Rafael Nuno

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